Num belo dia ensolarado e escaldante, Jane e eu resolvemos passear a esmo e conhecer pequenos lugarejos, um turismo de índio.
Já havíamos rodado por horas nessas estradinhas de terra esburacadas, passando de uma pra outra sem nem perceber, todas eram iguais, com pontos de referência em comum: uma moita, uma árvore, outra moita...Até que finalmente me toquei que estávamos perdidos.
Olhei pra Jane, que estava com o mapa na mão e me dizia o caminho.
- Jane, vc não notou nada estranho?
- O que, meu amor? - Nada, só esse mapa que tá de ponta-cabeça - Nhé pra mim!
- Pó parar! Já sabíamos desse seu pequeno probleminha e mesmo assim quem leu o mapa foi vc, não tem pq ficarmos aqui parados nos culpando, temos que encontrar algum lugar civilizado.
- Nh...
-
Mais algumas horas rodando pela estrada poeirenta, encontramos a entrada de uma vila cidade e resolvemos entrar pra comprar comida e principalmente pra perguntarmos onde raios nós estavamos.
Logo notamos algo estranho no vilarejo, todos os homens eram adeptos da moda pedreiro: calça deixando o cofrinho à mostra, camiseta regata de propaganda eleitoral/casas de construção e chinelo havaianas com preguinho; as mulheres usavam micro-saias e top's de cores tipo, verde-limão, pink, azul royal, amarelo-limão e sandálias plataforma na cor branca (só dei disso pq a Jane me contou, eu nem olhei, juro!). Os meios de locomoção eram predominantemente bicicretas barra-forte.
Mal a Jane desceu do carro já veio um engraçadinho (sem o menor apego aos dentes):
- Ô lá em casa...
Olho pro infeliz do Zé Cofrinho duzinfernus sem amor à vida e digo:
- Ô lá na Santa Casa...Tá afim de ir, Zé Cofrinho? Mando rapidinho! - Calma, John, ignora...
- Calma o &%$#@!!!!!!!
- Vamos, temos que descobrir onde estamos e comprar algo pra comer.
Só desisti de espancar o ridículo pq a Jane me puxou e me deu um beijo que me convenceu a desistir da parada (e tbm pq meu estômago estava roncando de fome - aham, eu sou um cara mó romântico).
Descobrimos que estavamos perto de onde Judas perdeu uma meia furada, maizomenos umas 3h longe de casa. Depois de andar por todos os 4 quarteirões da cidade, só encontramos botecos de esquina onde vendiam todos os tipos de cachaça, cerveja barata e ruim, tubaína e os famosos filés miau, os espetinhos de gato.
Juro que não sei o que era pior, a comida de embrulhar o estômago ou a música de dar dor de barriga.
Em todos os lugares era a mesma rádio sintonizada, a "famosa" Rádio AMp3,7 - A rádio alegria do bar lar, e naquele momento tocava um suuuuuper sucesso:
"Se - Djair
Ocê disse que num sabe se não
Mas tamém num tem certeza que sim
Qué sabê?
Quando é assim
Pode esperar o chifrão
Ocê sabe que eu só penso em ocê
Ocê diz que vive pensano em mim
Pode ser
Se é assim
Ocê tem que parar de me deixar na mão
Soltar essa louca, arder de paixão
Num tem como doer vai ser rapidim
Só dizer sim ou não
Mas ocê só faiz charmim
Eu quero sexo mas ocê disfaiz
Ocê me enrola à beça e eu nesse caô
E me manda tomar banho frio e não achar ruim
Inda pur cima curintia tá no zero a zero e eu quero dois a um
Ela não quer me dar, não quer meu suor
São Jorge por favor ilumina esse dragão
Porque tá mais fácil aprender a ler e escrever no mobral
Do que ela decidir se me dá ou não."
Poizé, a melodia era um sucesso, já a letra...E o pior era reconhecer que a música não era diferente daquela que aceitamos e julgamos apropriada, ela foi só traduzida e virou realmente uma música popular brasileira.
No final das contas, conseguimos sair de lá sem espancar ninguém e sem comer ou beber essas coisas medonhas. Achamos que passar mais 3h de fome era melhor, e jejuar purifica o corpo, não é? (e Allah sabe como nós precisamos disso )
(Aham, assim que chegamos em casa assaltamos a geladeira e deixamos os armários vazios)
Fazia um dia ensolarado no Convento das Freiras Enclausuradas do Monte Sagrado, quando a Madre Superiora disse que, além de finalmente podermos falar por algumas horas, faríamos uma pequena viagem até o Mosteiro de Santo Antônio e veríamos outras pessoas, depois de anos. O mundo estava um caos e iríamos juntar nossas orações pela paz mundial.
Chegamos na construção de pedras e passamos por um longo corredor externo - frio mesmo onde era banhado pela luz do sol - em direção à igreja. Já no corredor era possível ouvir o canto gregoriano.
Ao chegarmos na igreja, diminuímos o passo e caminhamos lentamente pela nave, em direção ao coro, onde os religiosos cantavam. A maioria das irmãs formou um grupo a frente e fiquei para trás, hipnotizada com o canto.
Não, não era com o canto. Era com um seminarista à esquerda do coro. Àquela distância era possível ver seu rosto perfeito, seus olhos brilhantes e o cabelo... ahhh que cabelo lindo!
Eu só pensava na sorte de ter adiado meus Votos Perpétuos. E quando o olhar dele cruzou o meu, rezei pra que ele não tivesse feito os votos também.
Imediatamente senti o pecado e tirei do bolso do hábito meu saquinho de milho. Enquanto as outras irmãs ocupavam os bancos da igreja e se juntavam ao coro, eu me ajoelhava sobre os grãos na lateral da nave. Madre Superiora esboçou um sorriso ao ver-me naquela atitude, acreditando que o sentimento de caridade tinha tomado conta do meu ser. Imediatamente as outras também se ajoelharam, e assim permanecemos até o fim dos cantos.
Ao final do dia de orações, refeições e nenhuma interação social, eu já não conseguia disfarçar meu interesse por aquele belo seminarista. E em alguns minutos, ao sinal do ocaso, nosso ônibus nos levaria de volta. Meu coração parecia querer sair pela boca, enquanto eu pensava em como deixar o Convento, a vida religiosa e aquele belo rapaz, que eu jamais veria novamente.
*drama*
Acordei do olhar hipnótico que lançava a ele, quando durante o lanche ao ar livre, ele veio na minha direção. Achei que ia me repreender pelo meu comportamento, pensei até em correr para longe. Mas ele veio, pegou uma das minhas mãos (que tremia), e, superando até minhas melhores expectativas, beijou-me de leve. E como se lesse meus pensamentos, olhou nos meus olhos e disse:
- ainda não fiz meus votos.
Espera, que eu vou te buscar.
Voltei para o convento impaciente. Mas na alvorada seguinte, antes que eu pudesse acumular muitas dúvidas, o belo ex-seminarista batia na minha janela na clausura para me levar embora.
E apesar de não termos tido outras experiências amorosas antes desta, sabíamos que tivemos a sorte de encontrar nossa alma gêmea na primeira oportunidade. Provavelmente foi obra do Altíssimo.
*barulho de despertador*
- glória, glória, aleluuuuuuuu...
- Jane, pelamordedeus, acorda!!!
- hã? O que faz um homem na minha cama? Terei que ajoelhar no milho? Já nos casamos?
- fala sério, mulé! Tá cantando música de igreja desde o meio da noite... devia estar tendo pesadelo...
*acorda, olha em volta, lembra de tudo*
- foi só um sonho?
*****
Ah, como assim? Tá certo que vida de freira enclausurada não tem nada a minha cara, mas um casalzinho assim com a "ficha limpa" ia ser uma beleza, não?
hohohohohoho *maldade*
:-P
Jane Smith
[ ]
Quinta-feira, Agosto 17, 2006
Vocês sabem que nós temos uma plantação de abobrinha que rende uma produção absurdamente enorme, quase incalculável.
Gostamos de dizer que somos bucólicos, empreendedores do campo, produtores e fornecedores de matéria prima da área nutricional.
Hoje temos a ajuda da alta tecnologia, uma forte aliada da nossa inteligência, tino comercial e social e uma cultura invejável.
Mas nem sempre foi assim...
[flashback]
*no trânsito de Porrrrrrtêra Véia, a cidade grande*
- Ôôôôôôôa!!! É pá pararrrrrrrrrrr! Pisa no brrrrreque, fi...
Sabe andá di carroça não?
- Jane, benzinho... Num si apoquenta muié...Ocê vai é acabarrrrrrrr arrumando confusão com argum carrocêro briguento e ieu qui vô terrrrrrrr qui arresorrrrrrrvê tudo na porrada... I ôtra coisa, ocê qui num sabi pilotá carroça...Eu hein, paréci qui nem tirô carrrrrrrrrrtêra de carrocêra...
- Comé qui não, hómi?
- Pra começarrrrrrrrr, carroça num teim nem breque pra pisarrrrrrrr ¬¬ *gospe a páia qui tava nu cantim da boca*
- Maizintão mi dá umazaulinha, benhê
- Ta bão, prestenção:
Currrrrrrrso relâmpago de direção e cuidado com o artomóverrrrrrrr de tração animarrrrrrrr
▪ Não saia do sítio sem antes abastecerrrrrrrr o animarrrrrr no pasto mais próximo, com capim di qualidade, craro;
▪ Carregue sempre dois tipos de istepe: Ω e O ;
▪ Rédia serrrrrrrrrrrve de volante e de breque, qdo ocê for usá como breque, pra funcioná direito tem qui falá um ÔAAAAA junto;
▪ Qdo ocê forrrrrr fazê uma currrrrrrrrva tem qui dá sinarrrrrrrrrr com o braço pro lado qui ocê vai virá, si precisarrrrrrr buzinarrrrrrrr quarqué "sai da frente, seu féladaputa" serrrrrrrrve;
▪ Qdo a carroça num saí do lugar, faça um agrado no burro teimoso (aquele qui puxa a carroça, não o qui pilota), converse com ele, prometa uma visita pro pasto da mula Julieta, diga qui nunca mais ocê vai dá carona pra dona Carrrrrrrrlota, aquela véia gorrrrrrrrrrda duzinfernus... Se a chantangi num funcioná, vai a diapé mess qui burro num teima, ozotro qui teima cum ele.
Mais arguma dúvida?
- Ai John, ocê tem arguma dica pra num dispentiá minhas trança? Dá um trabaaaaaaaio alevantá cedo, separá o cabelu im dois pedaço, trançá um lado, trança o otro... Inda mais um cabelim tão lisiiiim quinem o meu, quarqué vento dismancha. I tem mais! Tem essa franjona qui cai no zói e avua tudo quano o cavalo corri dimais.
- Óia, num sei arresorrrrrrrvê esse seu pobrema com as trança não, mais quano eu era muleque, láááááá nu sítio do vô eu ouvia o pessoarrrrrrrr falano de Saci, qui ele vivia fazeno traquinagi e uma delas era fazê trança nus rabo dus cavalo di noite...
Num criditu muito nessas coisa, mas num custa arriscá...
Se forrrrr mess verrrrrrrrrrdade verrrrrrrrrrdadêra, a gente podemos chamá o Saci pra abrí um salão na cidade e a gente viramos sócio dele... O qui cê acha?
- A gente podemo terrrrrrrrrrr dois empreendimento: aluguérrr di carroça e salão di beleza.
Ocê cuida da parrrrti das carroça. achu qui dava até pra botá aqueli tiu barrigudo pra tomá contá du istacionamento i sê seu ajudanti, principarrrrmente quano pricisá trocá us istepe e ocê pricisá di um [hómi-]macaco.
Eu cuido du salão i dus cabelo das muié, juntamenti com o Saci.
Aí nu istacionamento das carroça ocê anuncia: "Si ocê num qué si dispentiá na lida, é só í nu salão Saci's i trançá as bela madexa"
Vamu ficá rico!
- Maizóia, to gostano dessas coisa di imprendimento... Qui ocê acha dessi:
Nóiz podemo usarrrrrrrrr a mula sem cabeça tumém...
A gente podemo fazerrrrrrrrr uma criação desses bicho qui pode terrrrrrrr várias utilidade, pur exempro:
▪ animarrrrrrrr de puxarrrrrr carroça di noite
▪ isquêro
▪ lampião
▪ fugão
▪ larêra
▪ churrasquêra
Organização Forrrrrrcrórica Rurarrrrrrrrr, nóiz se preocupamo com o seu bem estarrrrrrrrrr E mais ainda cô dinhêro qui ocê vai gastarrrrrrrrrr
[/flashback]
Ainda bem que desistimos desses imprendimento, estudamos e investimos num refinamento sócio-cultural e nos tornamos produtores de abobrinhas em larga escala.
Né, benhê? ;-)
John Smith
[ ]
Quarta-feira, Julho 19, 2006
John sempre mostrou que será um pai extremamente cuidadoso com nossas filhas: até os 30 anos, nada de sair de casa, beber, ter amigOs, namorar, essas coisas fúteis que nenhuma menina deve fazer antes dos 30. Mas recentemente, quando planejávamos nosso futuro familiar, John mostrou que se preocupa com cada detalhe relacionado às nossas meninas.
Estávamos viajando na maionese escolhendo um provável nome, sempre olhando o significado mais simples, que qualquer site de nomes disponibiliza. Eu estava olhando aleatoriamente as letras, quando na letra D encontrei um - entre tantos - nome surreal.
- Olha, amor! O que você acha de Danette pra uma das nossas filhas?
*john imagines there's no heaven, it's easy if you try...*
Danette é a sobremesa perfeita para os mais diversos estados de espírito: para festejar momentos alegres, dividir um momento romântico, ou simplesmente para matar aquela vontade de chocolate. Afinal quantas vezes você já não pensou: "Eu mereço Danette".
NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃO!!!!
- por que não, meu amor?
- porque todo mundo vai querer comer...
Esse é o dia mais especial da minha vida.
O dia do meu casamento.
Algum tempo atrás a simples menção da palavra CASAMENTO me causava arrepio, desespero puro e uma vontade de fugir pra Antártida (fugir pra um lugar povoado por pingüins seria o mais apropriado pra quem teria que usar fraque, passaria quase despercebido).
Mas cá estou, no altar, vestindo um fraque (depois de ter sido ameaçado carinhosamente convencido a desistir do terno verde ¬¬ ), sem nenhum pingo de vontade de fugir e transbordando de felicidade.
Nossa, qta coisa que dá pra pensar nesse momento de espera... *olha o relógio*
Hum, "só" meia hora atrasada. Ok, ok, vai valer a pena.
Mas vou lembrá-la disso no futuro, afinal ela havia prometido que não iria me fazer esperar. /vingativo
*alvoroço na igreja*
Até que enfim!
Logo vai começar a tocar os acordes da Ma...
MACARENA?!?!?!
*pajens, sogro e a noiva entrando na igreja ao som da macarena e fazendo a coreografia*
Déjà vu...
Arrepio, desespero puro e uma vontade de fugir pra Antártida!
- John, onde é que você está indo, meu filho?!
- Padre, se a Jane perguntar, diz que fui comprar cigarro na Antártida!!!
- John...
*chacoalhão*
- John, acorda... O café da manhã está na mesa.
- Café da manhã? Hã? Como? Onde? Por quê? Me Tarzan, you Jane?
- Você está precisando urgentemente de um café... Vá até a cozinha que irei te servir, meu amor.
- Aham, já vou indo...
Cara, que alívio! Foi só um pesadelo medonho.
Agora vou tomar meu café, contar essa história bizarra pra Jane para rirmos juntos dessa besteira...
John insiste em dizer que não é romântico. E eu devo admitir que me considerava avessa ao romantismo antes de conhecê-lo. Mas um dia, estávamos reclamando do quanto dá saudade trabalhar o dia todo e nos vermos só de noite, numa conversinha que seguia todos os mandamentos do manual romântico moderno.
- tbm morro de saudade todos os dias
- não sei como é que pode tanta saudade... acho que se não fosse coisa de doido, eu ia te escrever o dia todo...
- a saudade tem q ser compatível com o amor q nós sentimos, por isso ela é tãããããããão grande
- por isso que eu carrego alguma coisa que você me deu pra onde eu vou.
*beija*
John olha alguma coisa no computador.
- vou me carregar pra perto de você uma hora dessas... morro de taaaaaaanta saudade.
- isso vai resolver a minha saudade também...
:)
- tem dias que não consigo nem ouvir música, que não agüento a saudade!
- goooooooooooool do Manchester United!!!
o.O
[não, ninguém entendeu errado]
- hahahahahahhahahahahhahahahhahaah
1 x 0?
- aham... começou agorinha. Vem aqui olhar um teste.
- teste de que?
- "teste o seu romantismo".
- HAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAAH
Jane: "Parabéns , você é uma pessoa romântica . Porém, não se acomode e busque sempre melhorar" - o meu deu igual ao seu.
- HAHAHAHAHHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAAHAHHAHA
NÃÃÃÃÃÃÃO! Guardemos segredo.
Amantes e amigos - mais do que ganhar bombons ou flores, o que você mais aprecia é ter um parceiro que te escute e te entenda...
vocês adoram fazer diversas coisas juntos (mesmo que seja pintar a casa) mas que tal uma pitadinha de romantismo? Isso pode trazer um pouco mais de alegria ao relacionamento.
- ahhahahahhahahahahahahahhahahahahah
- esse tá um pouquinho mais realista.
- poxa, mas somos tão românticos!
- quase o tempo todo, incrusivemente... tudo mentira esses testes!
- PQP!
1 x 1
HAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHHAHAHA
- "ah, meu amor... a gente é tão romântic.... PQP gol do Liverpool!!!"
- aham... acabei de demonstrar q é tudo mentira interferindo um papo sobre romantismo falando de placar de jogo de futebol...
- HAHAHAAHHHAHAAHAHHAHAHAHAHAHAHAHAHHAHA
- nossa, troféu marido romântico do século!
- você é perfeito pra mim...
- mas essa do placar vai entrar pra nossa história :-P
Já entrou, meu amor. E agora tá registrada ;-)
(Troféu esposa romântica pra mim?)
Jane Smith
[ ]
Quarta-feira, Maio 17, 2006
Depois do tremendo sucesso dos livros O Código Da Vinci e O Código Aleijadinho, o Blog I.T. - Imaginação Turista e a Editora Poeira na Estante, orgulhosamente apresentam:
O CÓDIGO BRAILLE
Sinopse mais longa da história:
Um assassinato no estacionamento da Sociedade de Oftalmologia faz surgir pistas sobre poderoso segredo passado de cego a cego por séculos.
Tudo não passaria de mais um crime se o destino não interviesse fazendo com que um outro "crime" ajudasse a desvendar o primeiro, nada mais justo, já que a justiça é cega.
Motorista cego é parado por dirigir embriagado e enquanto o policial fazia a revista, ele sentia no muro o que parecia ser algo escrito com chiclete em braille: "Fui assassinado, Mt. 9, 27-30 é mentira, passe o segredo adiante"
Depois de ser apenas multado e de estar com uma ressaca duzinfernus, o motorista cego, Roberto Comprigdon, agora guiado por sua cã guia, a poodle Sophie, segue em busca da solução do misterioso recado deixado no muro da Sociedade de Oftalmologia.
Descobre que a referência "Mt. 9, 27-30" é sobre um versículo da bíblia que diz: "Dois cegos o seguiram, gritando: Filho de David tende piedade de nós! Jesus entrou numa casa e os cegos aproximaram-se dele. Disse-lhes: Credes que eu posso fazer isso? - Sim Senhor, responderam eles. Então ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé. No mesmo instante os seus olhos se abriram."
Depois de mais pesquisas e conversas com vários amigos cegos, desvenda o segredo: foi censurada a parte final do versículo: ...No mesmo instante os seus olhos se abriram, mas eles nada enxergaram. O milagre atribuído a Jesus Cristo e contado no Evangelho de São Mateus era falso!
E isso foi passado de cego a cego por séculos até que o francês Louis Braille inventa o código Braille para que a verdade seja escrita e jamais se perca.
A Sociedade de Oftalmologia teme que os cegos se revoltem com a inexistência de um milagre da cura da cegueira e deixem de ir aos oftalmos, que perderiam seus lucros em grande porcentagem, procuram o Vaticano e pedem ajuda, já que o mesmo pode ser processado por propaganda enganosa e ocultação da verdade.
Ambos enviam um par de gêmeos siameses para capturarem o cego Roberto Comprigdon e sua cã guia Sophie para impedi-los de levar a verdade a todos, porque a fé tem que continuar cega!
John Smith
[ ]
Sexta-feira, Maio 05, 2006
John, meu business-marido, estava no Brasil negociando um grande lote de abobrinhas, quando se deparou com a seguinte notícia:
Eu já ia acreditando que era uma rede brasileira, mas se deu certo em Londres, porque não tentar no Brasil, né? John imediatamente escolheu até o lugar do empreendimento.
- vamos pro nordeste alugar "chalé" de sapê com chão de terra batida e rede na "parede"
* café da manhã: farinha com água
* almoço: sopa de pedra com farinha
* sobremesa: farelo de rapadura
* jantar? sonho com o almoço de amanhã
- banho só de rio...
O pior é que vai ter interessados! Dá pra dizer que é spa natural!!
E arranjamos um instrutor pra passeio medonho no meio do mato... e de jangada... e todos os tipos de deusmelivre.
- passeio no mato o cacete!
- lá vem...
- vamos inventar outra coisa: enduro a pé e com enxada. Botar esse povo pra arar a terra!
* Jane não consegue nem contribuir de tanto que ri*
- "enduro a pé"... enxada... prantação de cana?
Também podia ter um lado social... cada casinha vem com 11 criancinhas típicas que tem que ser cuidadas e alimentados durante os dias que passarem lá.
Aí as socialaites saem de lá e dizem pra Caras: "ah, eu adorei! saí de lá mais magra, mais forte e suuuuper me identifico agora com o drama do nordeste"
*pisca pras câmeras*
- na lojinha de badulaques como lembrança vai ter um jumento tatuado com "ái lóvi nordeste".
HAHAHAHAHAHAHAHHAHAHA
- ái lóvi nordeste foi de matar... um jumento com a pontinha do rabo em forma de coração.
A gente vai pro inferno.
- vai nada! Pro pessoal nativo que ajudar a gente dá até comissão: um saco de farinha e um pedaço de carne de charque.
- eles podem cuidar do "bufete" e dizemos pra fazerem a comida sem caprichar, que o povo não é de frescura. Hehehe.
- e o preço da diária?
- acho q pro começo 1000,00 tá bão.
- a diária???
- por pessoa.
Tem até entretenimento: choro das criancinhas mixado com sons de barriga roncando, e pra quem pagar 500,00 a mais, pode ter um radinho de pilha no "chalé".
Claro! É cultural, emagrecedor, integrador, moderno e hype. Todo mundo vai querer.
E você? Quer reservar pra quando sua estada no nosso Resort?
Jane Smith
[ ]
Terça-feira, Abril 11, 2006
- Jane, que você acha de usarmos o lucro da plantação de abobrinhas (ô coisa que rende!) pra irmos fazer uma viagem de turismo no espaço?
- Pro espaço, John?!
- É ué... Se até aquele governinho pé de chinelo mandou um turista astronauta por 10 milhões de dólares por sete dias na estação espacial, nós também podemos!
- Mas ele estava em missão! Tinha que realizar experimentos...
- Aham, tipo aquele da germinação do feijão? Jane, crianças no primário fazem esse experimento usando algodão e grãos, muito mais barato.
- É... Você tem toda razão. Mas eu queria uma viagem mais romântica...
- Veja bem, na tal estação espacial a cada 1h 30min o sol nasce e renasce, imagina como vai ser perfeito se pudermos assistir juntos a esse espetáculo mais de 10 vezes em 24h. Muito romântico.
- Vai ser perfeito!
- E ainda poderemos dar maiores contribuições à ciência do que esse turista astronauta.
- Lá vem...
- Qual a finalidade da estação espacial? Não é de num futuro próximo servir de alternativa para os cerumanos viverem? E não realizaram o experimento mais importante! De que adianta construir a tal estação, produzir alimentos capazes de serem comidos com a gravidade zero se ninguém ainda sabe se é capaz de dar continuidade à humanidade?
- Dar continuidade à humanidade, John?! Houston, we have a problem - Aham. Levar o Kama Sutra pro espaço e fazer uns testes. Tudo em prol da ciência, claro... Que você acha?
- Tava estranhando seu romantismo sobre dezenas de pôr-do-sol...
- Ah, meu amor... Podemos unir o útil ao agradável então. Realizamos esse experimento a cada nascer e pôr-do-sol ;-)
John Smith
[ ]
Domingo, Março 26, 2006
Eu não sou uma pessoa boa.
Tanto que sempre tenho pensamentos de um alto nível de malignidade (hein?) em relação às outras pessoas.
No trabalho por exemplo, tem um indivíduo que possui um veículo automotor que chama de carro - embora eu não concorde com a "classificação" - que eu adoraria dar uma estragadinha.
Vocês já ouviram falar que leite destrói a pintura dos carros? Pois então, eu estava tentando imaginar uma forma de dar uma pequena detonada no veículo usando aqueles saquinhos medonhos de leite de padaria. Resolvi comentar com o John...
- o problema é se me pegam no estacionamento arremessando sacos de leite, ou perto do carro enquanto estou estragando.
- ah, aí você aponta pro céu e diz pro segurança que foi uma vaca que passou voando...
Primeiro, a pausa pra que eu risse da cena de imaginar uma vaca sobrevoando o estacionamento. Mas John, muito calmamente continua:
- você diz que era uma vaca com incontinência mamária.
Depois que consegui recobrar o fôlego, fiquei imaginando: se não fosse presa por vandalismo, certamente seria encaminhada ao hospício mais próximo. Nada como um marido pra dar bons conselhos. Hhehehhehehehehhe.
- Jane, eu tava querendo estragar uns carros também... se eu te pagar cincão você faz isso?
- :| Tudo isso?
- e se eu pagar cincão mais uma coca?
Ah, sim... por cincão mais uma coca, eu faço. :P
Jane Smith
[ ]
Terça-feira, Março 07, 2006
Vocês já ouviram a expressão "magro de ruim"?
Eu sempre ouvi isso.
Às vezes me diziam isso com certo espanto, noutras com bom humor, pra tirar aquele sarro e em outras com inveja.
Confesso, sou magro, mas nem sou tão ruim assim :-P
Num belo dia, depois de matar 5 big sandubas deliciosamente acompanhados das batatinhas fritas, 4 refris, 2 milkshakes, 3 tortinhas e 2 sorvetes, o carinha uniformizado do fast food, entre espantado e curioso, me pergunta:
- Cara, pr'onde que vai tudo isso? :-|
- Dããã, preciso responder?
- Mas você é magro! - E você enxerga super bem...
- Mas... Mas...Você malha? Como mantém seu físico comendo assim? - Ihh... Tá me estranhando? Tá querendo saber demais do meu físico. Se liga, sou magro de ruim, tenho um estômago especial... E seguinte, muito estranho esse seu assédio, só não te denuncio pro gerente porque tô com pressa... Eu hein!
Fui embora sentindo o olhar do cara me seguindo. Affffe. Sei que sou assim, irresistível, mas essa não é a minha praia. Sorry.
Acabei me esquecendo do fato e continuei freqüentando a lanchonete, afinal era perto do trabalho.
Até que um dia, enqto fazia meu lanchinho habitual, notei o mesmo carinha uniformizado acompanhado de uns 5 caras lateralmente enormes, me apontando e cochichando.
Fiquei estressado e já estava quase perdendo o apetite e indo embora qdo a galera da pesada se aproxima da minha mesa e manda a seguinte:
- Aê magrelo, a gente precisamos bater um papinho contigo lá fora...
Fui gentilmente agarrado e levado pra fora da lanchonete.
Não me lembro do que aconteceu depois disso, só de acordar 'de repente' num leito hospitalar, morrendo de dor, com um curativo na barriga e usando uma daquelas camisolas ridículas abertas nas costas.
- Por que estou aqui?
- Calma, está num hospital, Mr. Smith. - Sério? Jurava que estava encenando uma cena de chapeuzinho vermelho em que eu era o vovozinho e aquela enfermeira boazuda com aquela boca grande ia me...
- Mr. Smith! Não adianta usar do sarcasmo e da ironia para fugir da realidade. Acho que sabe que algo sério aconteceu. - Ok. Senti que o curativo está acima da cintura, logo, não é tão grave qto pensei que poderia ser... Mas, pode dizer, eu agüento... O que foi que aconteceu?
- Você foi deixado na porta do pronto socorro gravemente ferido e descobrimos que seu estômago foi roubado, provavelmente pela G.U.L.O.S.O.S. - Comé que é????
- Isso mesmo, G.U.L.O.S.O.S. ou 'Gangue Urbana de Ladrões de Órgãos para Servir de Órgão de Suporte'
E foi assim. Tive meu estômago roubado pra servir de "pen drive" pra algum gordo maníaco guloso integrante de uma gangue de malucos.
Informaram-me que minha re-adaptação à sociedade e à vida normal seria difícil e uma assistente social recomendou que eu freqüentasse o 'Grupo de Apoio a Pessoas que Tiveram Órgãos Roubados'.
Inconformado, passei a freqüentar as reuniões do grupo.
Mas com o passar do tempo, fui me sentindo entediado e havia decidido que aquela seria minha última reunião, até que uma voz maravilhosa interrompe meus pensamentos:
- Oi, meu nome é Jane White e não tenho um rim.
Enfim, havia acabado de encontrar motivação pra continuar indo às reuniões.
Eu não tinha um estômago. Ela não tinha um rim.
Não sabia de muitas coisas, só tinha a certeza absoluta de que queria Jane White inteirinha pra mim.
Bom, quase inteirinha, né? ;-)
John Smith
[ ]
Terça-feira, Fevereiro 07, 2006
Alguns anos atrás fui a uma dessas festas que as pessoas dão quando os pais viajam. Era uma festa organizada pelo pessoal do grupo de discussão de História Medieval na Internet, em que ninguém se conhecia pessoalmente e todos deviam ir fantasiados de acordo com o nick. Me produzi como Guinevere e fui pro endereço marcado, na hora combinada.
No começo todos tímidos, até que os grupinhos formados foram se identificando e se juntando. A festa estava ficando divertida, o pessoal foi se soltando, bebendo, e algumas horas depois, já era possível ver corpos inertes pelos sofás, no chão, nas mesas e no gramado. Eu, que só bebia coquetel de frutas por não me dar bem com álcool, fui desanimando à medida que o pessoal ia tombando. Estava decidida a ir embora quando um dos rapazes que mais me mais me deixava curiosa, apareceu: Rei Arthur. Chegou trazendo coca-cola e falando sobre a Távola Redonda. Não resisti à conversa, à fantasia e nem às cocas, provavelmente batizadas com Bacardi Limón. Claro que não percebi a adulteração, já que Arthur era muito sedutor, e quando vi...
...estava acordando com uma sensação de milhões de agulhas pelo meu corpo, gelada, morrendo de frio. Fui abrindo os olhos, a visão embaçada e vi que tinha um papel pregado no meu braço direito com durex. Olhei em volta. Definitivamente era um banheiro e eu estava na banheira. Muito gelo e um pouco de água gelada que tinha derretido e uma grande mancha vermelha no lado esquerdo do meu vestido medieval. Quando finalmente minha visão se firmou, li no papel "Não faça movimentos bruscos, nem saia da banheira. Ao alcance da sua mão, tem um telefone. Ligue para a emergência. Você está sem um dos rins."
Entrei em pânico, sentia dores lancinantes por todo o corpo, e com muita dificuldade, pedi socorro pelo telefone. Não me lembro de muita coisa, até acordar no hospital com uma cicatriz enorme do lado esquerdo entre a barriga e as costas e a expressão pesada de um médico a me olhar.
- filha, você foi vítima da G.U.L.O.S.O.S..
- hã?
- a 'Gangue Urbana de Ladrões de Órgãos para Servir de Órgão de Suporte'
- não é lenda urbana?
- não. E ainda não sabemos seu nome.
- Jane White.
- Senhorita White, uma assistente social é chamada nesses casos, ela chegará em minutos pra conversar com você. Tenha uma boa recuperação.
Mal o médico saiu e a assistente social entrou no meu quarto e se apresentou.
- é uma pena que essa gangue ainda esteja solta... meu nome é Margaret Carnahan, espero que esteja se sentindo bem.
- ainda não sei como estou me sentindo...
- estou aqui em nome do Grupo de Apoio a Pessoas que Tiveram Órgãos Roubados. É de praxe que pessoas na sua situação sejam encaminhadas pra lá para aprenderem a lidar com a nova vida sem um dos órgãos e todos os problemas psicológicos que o fato traz.
Aceitei ir às reuniões. Ainda não sabia como reagir àquilo tudo. Três semanas depois da minha saída do hospital, fui ao primeiro encontro do grupo de apoio. Foi lá que conheci John, um rapaz bonitão que... bem, ele conta a parte dele.
Jane Smith
[ ]
Esse blog surgiu porque seus donos tem algo em comum.
Uma Imaginação Turista.
Suas imaginações já viajaram tanto que podem ser chamadas de turistas. Elas tem até passaporte.
Em suas viagens, já acumularam milhagens a ponto de dar inveja à NASA.
Mr. John T. Smith e Mrs. Jane K. Smith
Ao contrário do que
parece, não foi em um hospício que se conheceram.
Foi a fatalidade do
roubo de órgãos que os juntou.
Jane, de 25 anos,
nasceu com um rim defeituoso, que pretendia vender e trocar por um iPod de 60Gb, mas antes foi roubado e trocado por um playstation II de segunda mão.
John, de 26 anos,
nasceu com um estômago enjoado, mas foi roubado pra ser usado de pen drive por um gordo insaciável, e hoje usa uma parte do intestino pra "processar" a comida.
Se casaram depois
de um ano de reuniões no grupo de apoio, com um cardápio light, já que a maioria dos convidados tinha pedaços faltando.
Hoje são donos de
uma horta de abobrinhas no sul dos EUA, mas como são grandes exportadores, sobra dinheiro pra viajar por aí.